Associação dos Cabeleireiros de Portugal celebra 125 anos de história

A Associação dos Cabeleireiros de Portugal celebrou 125 anos de existência com um evento que foi muito mais do que uma comemoração institucional. Foi uma verdadeira declaração de identidade, criatividade e visão, dirigida a todos os que vivem a profissão com paixão e um legado construído ao longo de gerações.

 

O cenário escolhido para esta data maior foi o World of Wine, em Vila Nova de Gaia, um espaço onde tradição e contemporaneidade se cruzam, espelhando na perfeição os valores que a ACP tem defendido ao longo de mais de um século.

 

Uma viagem sensorial pela história do cabelo

Mais que um jantar celebrativo, o evento revelou-se uma viagem sensorial pela história do cabelo conduzida pela Equipa Artística da ACP que, através de uma performance cuidadosamente coreografada, percorreu a evolução do penteado desde 1900 até uma projecção criativa de 2050.

Nada foi deixado ao acaso. Figurinos, acessórios, cenografia e banda sonora construíram uma narrativa coerente e emocional com a violinista Sofia Beco a assumir o papel de guardiã desta viagem no tempo, conduzindo os convidados de década em década com elegância e intensidade.

A narrativa iniciou-se em 1900, com criações de Maria do Céu e Sérgio Andrade, que exploraram o contraste social da época , entre o luxo da alta sociedade e a simplicidade do quotidiano, demonstrando como o penteado sempre foi reflexo de identidade, condição e força interior.

 

Os anos 20 ganharam vida pelas mãos de Natália Sousa e Leonel Fernandes, celebrando a liberdade feminina e a elegância masculina da era dourada de Hollywood, com visuais icónicos que continuam a inspirar gerações.

 

Nos anos 60, António Ferreira evocou a sofisticação intemporal de Grace Kelly, enquanto Bernardete Santos e Sandra Sousa deram forma à emancipação feminina simbolizada pela minissaia, um marco cultural que se tornou e permanece como  icon.

 

A explosão criativa dos anos 80 surgiu com Carlos Almeida e Francisco Barros, num tributo à cor, ao volume e à atitude que definiram uma década de liberdade estética e identidade forte.

 

A entrada nos anos 2000 ficou a cargo de Sandra Silva e Bruno Vieira, com propostas de um glamour moderno com  ondas polidas, linhas elegantes e uma fusão equilibrada entre sofisticação clássica e técnicas actuais.

 

 

Esta viagem pela história culminou numa visão ousada para  2050, assinada por Mário Lamas. Uma criação que transcende tendências e rótulos, onde o cabelo se afirma como manifesto identitário. Cortes assimétricos, cores simbólicas e maquilhagem inspirada na resiliência humana projetaram um futuro onde a beleza é liberdade, consciência e expressão individual.

 

Os convidados tiveram ainda oportunidade de visitar uma exposição de roupas criadas pelos próprios profissionais e utilizadas em Shows ACP, promovendo a reutilização de materiais e a responsabilidade ambiental.

 

O evento ficou também marcado pela atuação dos músicos  Ana Celeste Ferreira e Ricardo Caló, num momento emotivo, amplificado pela paisagem única sobre o Rio Douro.

 

Os cabelos, protagonistas da noite, tiveram o segundo momento artístico  assinado pelo Diretor Artístico da ACP, Fernando Amaro, que apresentou três penteados sob o tema Diversidade Atual, celebrando uma sociedade inclusiva, plural e autêntica, onde todas as texturas e estilos têm lugar.

 

Num momento de reconhecimento institucional,  Fernando Sousa, presidente da Associação, distinguiu toda a Equipa Artística com a insígnia comemorativa dos 125 anos, destacando ainda o contributo de José Queirós na organização do evento. Foram igualmente homenageados Isabel Queiroz do Vale, pelo seu percurso e dedicação.  Este foi também o momento do próprio Presidente ser reconhecido e homenageado pelo trabalho desenvolvido ao longo de quase três décadas ao serviço da Associação.

 

Mais do que um evento, esta foi uma noite de encontro entre gerações, profissionais e empresas, unidas pela arte, pela profissão e pela vontade de continuar a construir o futuro, reforçando a missão da ACP de unir, valorizar e dignificar o sector

Uma celebração que deu origem a uma entrevista na última edição da Revista Tom sobre Tom.