Business of Beauty: quando a experiência internacional se transforma em valor real para os salões portugueses

Mais do que uma nova empresa no mercado profissional de beleza, a Business of Beauty (BoB) nasce de um percurso internacional sólido e de uma visão clara sobre o futuro dos salões. Fundada por Carlos Lopes, cabeleireiro, formador e consultor com mais de 20 anos de experiência global, a BoB posiciona-se como um verdadeiro parceiro de negócio, aliando marcas de referência como Vitality’s e MARTOM a um modelo onde a educação estruturada, a estratégia e a proximidade com o profissional são pilares fundamentais para um crescimento sustentável.

 

Como nasce a Business of Beauty?

A BoB – Business of Beauty nasce de forma muito natural, como consequência de um percurso profissional internacional, marcado por experiências diversas em várias partes do mundo. Apesar de sempre ligado ao nosso sector, exerci funções bastante distintas ao longo do caminho. A determinada altura da minha vida, o objectivo passou por regressar a Portugal e colocar ao serviço do mercado nacional a experiência e o know-how adquiridos, contribuindo de forma concreta para o crescimento e desenvolvimento dos cabeleireiros portugueses. Nesse regresso, confesso que o sonho inicial era criar uma Academia, até porque tenho mais de 20 anos de carreira ligados à formação. No entanto, a viabilidade desse modelo, no contexto do nosso mercado, é limitada. Assim, a representação de marcas que permitam desenvolver projectos de formação estruturados, relevantes e ajustados à realidade dos salões, revelou-se o caminho mais próximo e eficaz para apoiar os meus colegas cabeleireiros.

 

Qual é a missão da empresa e que tipo de parceiro pretende ser para os profissionais de beleza em Portugal?

A nossa missão é clara:“Ser o parceiro de negócio ideal para fazer crescer o salão de cabeleireiro.”Somos, antes de tudo, uma empresa de pessoas para pessoas. O nosso foco está na criação de relações prósperas e duradouras, ajudando os nossos parceiros a crescer, tanto do ponto de vista profissional como empresarial. Acreditamos firmemente que só crescemos enquanto empresa se os salões crescerem primeiro. E o mais gratificante é que, em pouco mais de dois anos de existência, já contamos com inúmeros casos de sucesso e testemunhos reais de profissionais verdadeiramente satisfeitos por fazerem parte desta jornada connosco.

 

O que torna diferenciador o projecto da BoB?

Antes de mais, a BoB é uma empresa criada por um cabeleireiro. Um cabeleireiro que ainda hoje se envolve com a colorimetria, que continua a “divertir-se” com as tesouras e a geometria, que fala a linguagem artística dos colegas em contexto de formação e que sente um enorme prazer em partilhar experiência. E quando afirmamos que “somos verdadeiramente uma empresa de Pessoas para Pessoas. De um cabeleireiro para cabeleireiros”, isso traduz-se em proximidade real. Para além disso, trabalhamos com base num calendário anual de formação, altamente estruturado e enriquecedor, que aposta fortemente em convidados internacionais que trazem uma visão global e que vai muito além da formação técnica tradicional, abrangendo áreas como gestão, marketing, nutrição –  numa abordagem à saúde e ao bem-estar e onde a inteligência artificial ocupa um espaço de destaque tendo em vista a aplicação prática para melhoria do serviço no salão. 

 

De que forma a sua vasta experiência internacional e a visão global que tem do mercado influencia a estratégia da empresa?

Para compreender a forma como vejo o mercado hoje, é importante olhar para o meu percurso. Comecei muito jovem, aos 16 anos, com formação de base inglesa, na escola Sassoon. Sonhava ser formador de Academia e queria ser “o melhor do mundo” (risos).

A dada altura, viajei para África,  um continente que guardo no coração como um lugar profundamente humano, genuíno e enriquecedor, muito diferente da realidade europeia. Quem já teve o privilégio de “cheirar África” compreende o que quero dizer; quem nunca teve, deixo a sugestão de que deveria fazê-lo pelo menos uma vez na vida.

Iniciei a minha carreira profissional numa cadeia de salões em Joanesburgo, a Moura of France. Era um enorme desafio: um jovem num contexto altamente exigente, com salões a abrir às 7h da manhã e clientes à espera. O proprietário era distribuidor da Wella e rapidamente integrei a equipa de formação técnica, percorrendo vários países da África Austral. Foi uma experiência extremamente desafiante, mas profundamente formadora.

Regressei mais tarde a Portugal e integrei uma equipa de salão num centro comercial, o Saint Karl  – dinâmica, ambiciosa e focada em formação contínua. Competia com o Gerente do espaço, de forma saudável, pelo melhor talão do dia e pelo corte mais bem executado (risos). Obviamente que ele não me deixava ganhar facilmente, pois além de ser um  profissional de excelência, é um excelente líder de equipa. Contudo, percebi que não seria nesse contexto que queria construir o meu futuro.

Voltei ao mundo corporativo, integrando a Sebastian, numa fase de mudança da marca, seguido de uma breve passagem pela Joico Europe. Posteriormente, surgiu a oportunidade de colaborar com a marca italiana z-one concept, inicialmente com o apoio ao mercado português e, mais tarde, como Director de Formação Internacional.

Assumi depois a direção global de formação, viajando por cerca de 60 países por ano, em eventos, shows, workshops e ações de formação para profissionais e equipas comerciais. Acumulava ainda funções ligadas à organização de eventos, desenvolvimento de produto e inovação. Foram anos de enorme entrega e crescimento.

Mais tarde, já com o objectivo de regressar a Portugal por motivos familiares, surgiu um novo desafio: participar na criação e desenvolvimento de uma marca masculina global. Assim nasceu a DEPOT – The Male Tools & Co. Assumi funções de Export Manager, desenvolvendo o mercado internacional. Em quatro anos, a marca estava presente em 45 mercados e representava cerca de 10% da facturação da empresa.

Após a venda da empresa a um fundo de investimento, surgiu o convite para regressar a Itália e assumir novas direcções. Optei por ficar em Portugal e iniciar a minha própria aventura, que começou com consultoria e evoluiu, naturalmente, para a representação de marcas exclusivas.

 

E como é que essa experiência beneficia directamente os profissionais que trabalham com a BoB? 

Sobretudo através de uma visão global e de metodologias de formação diferenciadoras. A vasta experiência na área permite-nos criar formatos pouco convencionais e altamente envolventes. Por exemplo, numa formação de colorimetria, os participantes saíram com telas didáticas pintadas por eles próprios, que hoje funcionam como elementos decorativos e guias visuais nos salões. As nossas metodologias são participativas, não expositivas.

A formação, para nós, é partilha de experiências. Por isso, convidamos formadores de diferentes países e áreas. Num curso de marketing, por exemplo, trabalhamos com marketeers reais e diretores de marketing internacionais, resultando em experiências imersivas como um fim de semana no Douro dedicado a branding e posicionamento. Já temos salões que criaram a sua própria identidade visual a partir destas formações.Tudo o que fazemos está orientado para o crescimento do profissional e do espaço.

Claramente a BoB, posiciona-se como muito mais do que um distribuidor, com a Educação no centro do modelo de negócio…

Confirmo. Encaramos a  formação não como um custo mas como uma garantia de evolução e o investimento que constrói o futuro. Os salões só crescem quando evoluem, e a evolução faz-se com formação contínua. Em 2026 teremos um programa abrangente, com formações mensais em áreas como gestão, bem-estar, marketing, técnicas inovadoras, spa capilar, moda e eventos internacionais. Lançámos também uma app de formação digital, que permite acesso contínuo a conteúdos e apoio técnico.

 

Que mudanças considera mais relevantes hoje num mercado que está em constante transformação?

Identifico 8 áreas onde as mudanças são mais evidentes e que ilustram bem a transformação pela qual está a passar o mercado.

  1. Do serviço ao conceito: o salão como experiência
    O salão deixou de ser apenas funcional. O consumidor procura personalização, emoção e significado. Ambientes cuidados, rituais, protocolos de couro cabeludo e experiências sensoriais tornaram-se diferenciadores. A concorrência já não são apenas outros salões, mas também o “faça você mesmo” promovido pelas redes sociais. A experiência é hoje a principal arma estratégica;
  2. O profissional enquanto empresário
    A qualidade técnica passou a ser um pré-requisito, não um argumento. O profissional moderno tem de dominar indicadores de negócio, rentabilidade, gestão de pessoas, agenda e posicionamento. A profissionalização da gestão deixou de ser opcional.
  3. Talento escasso, valor em alta
    A escassez de mão-de-obra é um desafio global. Atrair e reter talento exige hoje envolvimento, formação contínua, reconhecimento e qualidade de vida. A nova geração valoriza mais o equilíbrio entre trabalho e bem-estar do que gerações anteriores.   Os salões que não investirem na valorização humana das suas equipas terão dificuldade em manter consistência e crescimento. A média europeia é hoje de 2,5 pessoas por salão, o que significa que cada vez mais os espacos se tornam intimistas e pessoais. Mas para isso temos que ter recurssos humanos altamente qualificados; 
  4. Digitalização: o novo normal
    O digital é parte integrante do negócio: marcações online, CRM, redes sociais, formação digital e reputação construída cada vez mais no ecrã do telemóvel; 
  5. Personalização como novo standard
    Serviços à medida, protocolos personalizados e tecnologia,  incluindo IA,  surgem como aliadas do profissional, nunca como substitutos; 
  6. Sustentabilidade: de discurso a critério
    A sustentabilidade deixou de ser marketing e passou a ser critério de escolha: embalagens, fórmulas, consumo energético e coerência entre discurso e prática;
  7. Especialização
    O modelo de salão tradicional está em declínio. Os espacos em que se faz “de tudo um pouco” (cabelo, mãos, pés, estética) vão ter que escolher. O futuro passa por nichos claros: salões de autor, clínicas de scalp, espaços focados em cor, tratamento ou serviços premium;
  8. Reposicionamento do mercado
    O mercado profissional de beleza está a atravessar um processo natural de reposicionamento. Tal como vemos noutros sectores, os salões estão a fazer escolhas: alguns evoluem para segmentos mais premium, outros assumem um posicionamento mais acessível e orientado para o preço.

O maior desafio surge nos salões de posicionamento intermédio, inseridos no designado ‘oceano vermelho’, onde a concorrência é elevada, a diferenciação é reduzida e   por isso a “guerra” trava-se nos preços. Nestes casos, competir apenas pelo preço deixa de ser sustentável. Acreditamos que o futuro passa por um posicionamento claro, suportado por marcas fortes, formação contínua e uma proposta de valor bem definida.

 

E na sua perspectiva o que acredita que os salões portugueses mais precisam neste momento? 

Pensar o negócio para além da arte. A formação técnica está amplamente disponível, mas poucos profissionais gerem verdadeiramente o salão como uma empresa. A resistência à mudança e à especialização impede muitos espaços de crescerem de forma sólida e sustentável.

 

Que critérios foram determinantes na escolha da MARTOM e da Vitality’s para o mercado português?

 
Critérios muito claros: qualidade técnica e continuidade; relação directa com os decisores das marcas a identidade forte e inovação comum a ambas.

A VITALITY’s surgiu naturalmente, fruto de uma relação de consultoria pois eram meus clientes. Para além disso a marca já estava e Portugal através de um outro parceiro e amigo que a distribui na margem Sul de Lisboa, o Ricardo Dinis, conseguindo assim obter uma cobertura nacional.

No caso da MARTOM, foi fruto de uma pesquisa de mercado quando  procurávamos um conceito verdadeiramente diferenciador e pioneiro.

 

Como define o ADN de cada marca?

A VITALITY’s é uma marca italiana com mais de 50 anos, reconhecida pela excelência em coloração e rigor laboratorial. É uma garantia de qualidade para os salões.

A MARTOM DELUXE HAIR CODE representa um novo luxo: sensorial, elegante e experiencial. Um conceito baseado no R.E.S.P.E.C.T., com forte ligação à perfumaria de nicho e à moda italiana.

 

Quer destacar alguma gamas/linha que os profissionais portugueses devem conhecer?

Na VITALITY’s, destaco os sistemas de coloração e o recém-lançado Mix & Match, que alia tratamento, performance e efeito gloss.

Na MARTOM, mais do que uma gama, falamos de uma experiência sensorial completa, disponível a partir de março, para espaços que procuram diferenciação real.

 

Carlos Lopes - Founder & CEO | Business of Beauty

Cabeleireiro de profissão e formador por vocação, Carlos Lopes construiu um percurso internacional ligado à formação, desenvolvimento de marcas e estratégia de mercado. Iniciou a sua carreira muito jovem, aos 16 anos, com formação de base inglesa na Academia Sassoon, e desenvolveu grande parte do seu trajecto profissional fora de Portugal, com experiências em África e em vários mercados internacionais.

Ao longo do seu percurso, passou por marcas como Sebastian, Joico Europe e z.one concept, onde assumiu funções de Diretor de Formação Internacional, liderando projectos educativos, eventos e acções de formação em dezenas de países. Mais tarde, integrou o desenvolvimento da marca masculina DEPOT – The Male Tools & Co., contribuindo para a sua expansão internacional.

De regresso a Portugal, fundou a Business of Beauty (BoB), um projecto criado para colocar a experiência internacional ao serviço do mercado nacional, com foco na educação contínua, na proximidade ao cabeleireiro e na representação de marcas como Vitality’s e MARTOM.