The Orange is the new Black by Miguel Viana

Ruivos, ruivos e mais ruivos. É isto que pode esperar da nova coleção de Miguel Viana, que se inspirou nos conflitos do presente para construir uma colecção prêt-à-porter. A revista Tom sobre Tom conversou com o top hairstylist de Wella Professionals e não perdeu a oportunidade de descobrir se há de facto um ruivo para cada cliente.

 

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Miguel Viana

 

Estima-se que apenas 1% a 2% da população mundial seja naturalmente ruiva, o que significa que é um tom extremamente raro. Por que é que elegeu o ruivo para ser a base da sua nova colecção?
Gosto de apoiar e dar visibilidade aos universos mais pequenos. E há estudos que dizem, inclusive, que os ruivos estão a terminar… Quis dar destaque a uma minoria. Além disso, recentemente viajei até África do Sul e descobri uma localidade onde, curiosamente, exista uma grande quantidade de ruivos.

 

Que mensagem pretendeu transmitir ao criar uma colecção monocromática?
Inspirei-me na guerra e nos conflitos que vivemos actualmente para criar uma colecção que antevê uma nova era. Acho que todas as guerras levam a uma nova tomada de consciência, a um renascimento e consequentemente, à evolução do homem. Foi isso que eu quis transmitir. Repare-se na situação portuguesa. Passámos por uma crise grave e agora começámos a renascer, as cidades começaram a fervilhar… o Porto é um bom exemplo disso. No espaço de quatro ou cinco anos, transformou-se, cresceu imenso e agora está cheio de vida. A escolha de uma paleta monocromática também é um bocadinho por aí… É como se fosse um novo mundo a começar, onde uma minoria se transformou numa maioria.

 

Como foi feita a articulação entre os cabelos, maquilhagem e guarda-roupa na construção do resultado final?
Não foi difícil. Como estou nesta área há muitos anos e tenho uma relação próxima com a moda, conheço as pessoas certas que vão interpretar a minha linguagem, e que vão, inclusive, acrescentar algo à minha ideia. Por isso, recorri à Cristina Gomes, uma verdadeira especialista em fazer sardas (risos!) que criou uma maquilhagem nude que ajudou a destacar o tom dos cabelos. Em relação ao guarda-roupa, contei com a ajuda da Ana Campos, editora de moda da Vogue Portugal, que eu conheço há muitos anos. Durante um jantar, contei-lhe que estava a pensar criar uma colecção só de ruivos. É engraçado… ela captou imediatamente a minha ideia e, nesse momento, mostrou-me um vídeo de uma cantora onde apareciam só ruivos num cenário de guerra. Era exactamente aquilo que eu estava à procura! Optámos por um guarda-roupa de inspiração militar para representar, precisamente, os conflitos militares que estão a acontecer no mundo.

 

E em relação à escolha dos modelos?
A selecção de modelos é um dos processos mais importantes numa colecção. Foi difícil, especialmente pelas particularidades desta colecção, mas confesso que acabou por se transformar numa surpresa. Acabei por ter dois ou três casos de manequins que não tinham mesmo características nenhumas, nem a cor dos olhos, nem a cor da tez nem mesmo as sardas. Foi um desafio, mas é curioso porque realmente consegue-se ajustar. A verdade é que contrariamente ao que muitos acham, a maioria dos ruivos tem olhos castanhos. E há olhos castanhos que têm um certo pigmento verde que, quando se faz coloração ruiva, acaba por sair realçado.

 

Ouvimos repetidamente no mundo da moda a expressão “The Orange is the new Black” Concorda? O ruivo é uma tendência para esta estação (Out./Inv.)?
Para mim é, sem dúvida! O ruivo dá com tudo. No meu caso, optei por um guarda-roupa em tons de verde porque acho que é a cor que melhor combina. Mas não é a única! Esta é uma colecção muito prêt-à-porter, com visuais que os clientes podem usar diariamente.

 

Tendo em conta o facto de este tom estar associado a características muito específicas que não são comuns na população portuguesa, a que tipo de clientes o profissional deve propor esta coloração?
Eu não diria que o ruivo é para toda a gente, mas é para QUASE para toda a gente. O único caso onde eu acho que não é aplicável é a clientes com peles muito morenas.

 

Que dicas gostaria de partilhar com outros profissionais?
É na intensidade do tom que está o grande segredo! O pigmento deve ser avermelhado ou alaranjado de acordo com a tez de cada cliente. É esse factor que vai ajudar a ajustar o tom e é determinante para que a coloração encaixe ou não no cliente. Há uma linha muito ténue, entre um cobre mais intenso ou menos intenso, que resulta num tom natural ou artificial.

 

Que cuidados recomenda para manter a beleza dos cabelos ruivos?
Antes de mais, é fundamental utilizar um champô para cabelos com coloração, para ajudar a proteger a cor. E depois, hidratação, hidratação e hidratação! Como em qualquer coloração, a fibra capilar acaba por ser agredida, portanto é essencial hidratar. Quanto mais hidratado estiver o cabelo, maior será a durabilidade da coloração.